Bem vindo de volta Maracanã.

E o Maracanã está de volta ao mundo dos vivos, ou pelo menos esse estádio que chamam de Novo Maracanã e que foi construído no mesmo lugar do antigo templo do futebol.

Aqui deste humilde cantinho quero fazer uma singela homenagem ao saudoso estádio que me deu tantas historias e tantas emoções, boas e ruins, porém ainda sim, emoções.

Venho lembrar do meu jogo favorito que assisti no estádio, que podia ter sido o famoso jogo pré copa de 1994 com dois gols do baixinho, ou o mitológico "gol do Pet". Quem sabe até o vice campeonato mais importante da histórica do vasquinho, na Copa do Brasil de 2006, mas não, o meu jogo mais especial não é um jogo decisivo, nem pode ser considerado um jogo histórico, foi na primavera de 2002…

Eu tinha começado a faculdade a poucos mais de de um mês, fazendo alguns amigos, bebendo muito, aquelas tradições, quando numa quarta feira despretensiosa, estávamos esperando a primeira aula eu e mais um grupo de amigos quando alguém, que pode ter sido eu ou pode ter sido qualquer outro, comenta: "Hoje tem FlaxFlu né".

Aquela frase despretensiosa, que teve o objetivo apenas de tocar num ponto curioso, já que não é comum termos clássicos durante a semana, foi como uma guimba de cigarro num posto de gasolina de filme hollywoodiano. Eu simplesmente precisa desesperadamente ir ao jogo, olhei para o meu novo amigo mais chegado e falei:

- Partiu?, ao que ele respondeu: - Partiu.

Quando estávamos saindo, encontramos um outro novo-amigo e comentamos que íamos ao Flaxflu. Ele nem esperou o convite, sacou um camisa do fluminense, e falou que ia também.

Eu e o meu sidekicker inicial éramos Flamenguistas e não esperávamos que um tricolor nos acompanhasse, mas foda-se, era época de fazer amigos e ninguém tem culpa de ser tricolor, provavelmente ele veio de uma família que incentivava a viadagem.

Chegamos em cima da hora, compramos cadeira afinal não podíamos ir nem para um lado nem para o outro da arquibancada, embora tenhamos ficado mais próximos de rubro-negros que de tricolores, sem querer parecer homofônico).

Como éramos dois, portanto maioria, flamenguistas e esse amigo além de tricolor parecia realmente ter tendências gays, estávamos sacaneando ele bastante nos minutos que antecederam o inicio do jogo, porém mal a pelota rolou e gol dos caras! O maluco fez um carnaval com a nossa cara.

Tudo caminhava para ser uma péssima quarta feira, já que tínhamos um time fraco naquela época, e o Flu tinha ninguém menos que o baixinho Romário.

Mas, como disse o picareta gaúcho, Flamengo é Flamengo e naquela quarta feira comum, Athirson, Iranildo chuchu, Fábio Baiano e cia fizeram valer a máxima que mesmo que fossem onze cabos de vassoura vestindo a camisa rubro-negra, ainda sim seria um time de valor.

12' do primeiro tempo e veio o empate com de Athirson, porém, se fosse creditado ao Sr. Sorte seria mais justo. Como justiça não entra em campo, o placar apontava 1x1.

Mal o cronometro correu e aos 18' Zé Carlos (o famoso quem?!) tratou de colocar as moças no lugar delas, 2x1 pro time masculino. Fim do primeiro tempo. Tensão e provações que não paravam mais por conta da presença de Romário e Renato Gaúcho, que fazia sua estreia como treinador do Flu.

Começa o segundo tempo e Liedson, ainda um jovem desconhecido, aumenta a vantagem para 3x1, dez minutos depois Chuchuzinho coloca os tricolores de quatro, do jeito que eles gostam, para aos 33' Fábio Baiano empurrar mais um, fechar em 5x1 e a alegria correr solta no Maraca.

Ainda teve penalti perdido pelo bachola Romario mostrando que "Ô ôôô.. Romário é Flamenguista.." (não me pergunte, nunca entendi essas rimas de arquibancada).

Um jogo memorável e inesquecível (ao menos pra mim).

É muito bom ter você de volta velho amigo. Espero de coração que não tenham deformado e tornado você irreconhecível.

Vejam os gols | link


PS1: Eu sei que teve mais um gol do fluminense em uma pixotada deprimente da defesa do Flamengo mas sejamos sinceros, ninguém se importou com isso.

PS2: A historia de como fomos parar no jogo provavelmente foi totalmente diferente, mas a idéia geral da coisa está certa.

PS3: Nesse ano o Botafogo conseguiria a façanha de ficar em 26º (e ultimo) lugar, conquistando uma passagem só de ida para os confins da série B. Foi acompanhado pelo Palmeiras que parece ter tomado gosto e em 2014 vai jogar a B novamente.

PS4: Fábio Baiano era craque!

Posted in | Leave a comment

Medindo o sucesso.


E engraçado como as vezes parece que por mais que lutemos para progredir, para seguir em frente com nossos planos e nossas vidas, as coisas simplesmente não acontecem. Fazemos tudo que acreditamos que tem que ser feito, sentimos o jubilo antecipado da vitoria, porque na nossa mente ninguém no mundo poderia fazer mais do que o que fizemos e quando chega a hora da colheita, não existe nenhum fruto.

O que devemos fazer em momentos assim, esperar com a certeza de que ventos melhores virão? Mudar de estrategia, mesmo acreditando fielmente que o que fizemos foi o melhor que poderíamos ter feito naquela situação? Em ultimo caso, sentar e chorar como um bebezinho chamando a mamãe?

A verdade é que não importa o quão bem preparados nos estejamos, nem o quão bem executado tenha sido o que quer que nós tenhamos nos disposto a fazer. Sempre vão existir milhares de variáveis fora do nosso controle e aleatoriamente uma quantidade delas vão eventualmente dar errado. Nada pode explicar esse fenômeno. 

Se paramos demais para analisar os prós e os contras de alguma coisa, se pensamos demais nas consequências de determinada ação, acabamos ficando presos pelo medo. Começamos a viver no mundo do "e se...".

Coragem para agir e força para aguentar as consequências, é disso que a vida é feita. Precisamos nos focar em fazer o melhor que pudermos, independente dos resultados que essa ação gere, porque isso é tudo que podemos controlar.

O famoso treinador de basquete Wooden se tornou um ícone dessa filosofia ao defender a bandeira de que é preciso fazer o melhor, e que vencer ou perder não são realmente importantes, ele chegou a criar todo um modelo de gestão baseado nisso com a sua famosa piramide do sucesso.

Claro que é uma filosofia extremamente difícil, nós como seres humanos, somos extremamente dependentes da validação alheia e essa validação vem geralmente acompanhando as vitorias e não o esforço. Isso se da, até porque, o esforço é muitas vezes uma atitude solitária, sem testemunhas e sem supervisão. 

Aquelas horas de trabalho quando todos já saíram do escritório, aquele domingo em casa rascunhando ideias para serem implementadas em algum projeto, tudo isso são momentos solitários, e quando as coisas dão errado, por mais que você tenha a consciência limpa, tudo que fica para as outras pessoas é que você tentou tudo e fracassou, o que torna o seu esforço exatamente o oposto do que deveria. Ele se mostrou um desperdício o que pra muitos é uma dupla derrota.

Mas do mesmo jeito que perder pode esconder uma vitoria pessoal, uma vitoria em publico pode mascarar uma derrota pessoal. Aquela prova que você passou colando, ou aquele relatório que outra pessoa fez e você apresentou como seu. São vitorias que na maioria das vezes brilham mas corroem por dentro a confiança e a força das pessoas.

É como diz lenda de um homem que recebeu dois papeis de um sábio, um para ser aberto numa grande vitoria e outro para ser aberto numa grande derrota e em ambos estava escrito "isso é passageiro". A única coisa duradoura é o esforço que fazemos.

O grande problema dessa filosofia e que não podemos mais apontar o dedo para os outros, não existem outros culpados por nos esforçarmos menos do que nós mesmo. Quando o resultado para de ser a meta, os outros param de ter importância e com isso vem um aumento da nossa responsabilidade e responsabilidade da medo.

Você vai viver com medo ou vai assumir a responsabilidade? Como li uma vez, você está disposto a puxar o gatilho e montar na bala?

Posted in , | Leave a comment

Assaltos, maldades e um iPhone

Eu sou, definitivamente, uma má pessoa. Apesar dos meus esforços ou das minhas auto ilusões, e conto o porque.

Durante pouco mais de 2 anos, eu fui o feliz proprietário de um iPhone 4 de 32 Gb, porém de alguns (poucos) meses pra cá eu tenho sentido uma necessidade patológica de upgradear o aparelho e a única coisa que tem mantido esse desejo sobre controle é o salgadíssimo preço do modelo 5.

Com vistas a vencer essa batalha, minha mente tem tentado de todas as maneiras criar justificativas para que eu tenha que comprar um novo, por exemplo, recentemente estive em um chá de bebê e a lembrancinha foi uma sabonetinho em formato de carrinho de bebe, eu "sem perceber" coloquei no bolso de trás, o mesmo que normalmente é reservado ao celular. Tempo passou e eu cheguei em casa, tirei o celular, tirei a calça e quando fui tentar fazer uma ligação vi que a outra pessoa não estava me ouvindo. Rapidamente eu praguejei contra a TIM, a Dilma e todo o povo brasileiro, achando que eram os culpas (nessa ordem), enquanto desligava e ligava do telefone fixo (sim, eu tenho).

Somente muitas horas depois, quando fui colocar o telefone para carregar, é que percebi que o microfone e o buraco do carregador estavam azuis, e com um rápida consulta ao bolso da calça, me certifiquei que aquilo era sabonete entranhado no amago de meu amigo eletrônico.

Meu deus! Sabonete... Espuma... Eletrônico... Rapidamente essas três palavras formaram um padrão que deu o start nos processos mentais de tomada de decisão do meu cérebro e eu cheguei a conclusão de que precisa comprar um celular novo naquela dia, naquela hora porque, obviamente, um celular com sabonete dentro dele nunca mais voltaria a funcionar.

Eu já estava navegando em busca da melhor relação custo beneficio, pensando para qual operadora mudar em busca do melhor desconto, quando a minha mulher, nada feliz com o gasto desprogramado, pergunta porque eu não tentava tirar o sabonete com "aquele álcool que você já cansou de pingar no botão dele".

Qualquer um que seja, ou já tenha sido, casado sabe que quando a sua mulher oferece digratis um dica é melhor seguir porque caso contrario, você vai ser perseguido por ela para o resto da vida.

Pois bem. pinguei o álcool, tirei o excesso de sabonete que estava na parte externa e testei o micro fone... Ficou uma merda e ainda parou o auto falante. Por fora eu fazia cara de triste por ter que gastar aquela dinheirama toda numa besteira como um celular, mas por dentro eu era pura alegria, tinha o argumento perfeito para vencer minhas barreiras mentais E a barreira que seria a minha mulher.

Saímos para beber e no dia seguinte, tal e qual um filme de Hollywood, meu celular tinha magicamente voltado a funcionar. E eu tinha voltado a estaca zero em questão de ter um celular novo NOW!

Ahhhh Diego, mas você não é uma pessoa má só por isso, muita gente faria pior, fingiria que o celular não funcionou só pra trocar. Eu sei, porém isso foi só o preambulo da historia, o que me torna uma pessoa verdadeiramente má é o que aconteceu nesse domingo.

Minha esposa também é a feliz proprietária de um iPhone, porém, como ela "não liga pra essas coisas de informática", é um iPhone 4 8GB. Pra ela só uma coisa importa de verdade, ou importava quando ela comprou, WhatsApp, Instagram e ser O iPhone branco. (Agora que paro pra pensar, eram três coisas que importavam e não uma como eu disse, mas como o backspace está quebrado, sigamos em frente). Ela era e ainda é louca pelo iPhone 4 branco, acha lindo!

Pois bem, ela estava indo trabalhar no ultimo domingo quando foi abordada por um desses pivetes safados e fdp que mereciam tomar porrada até o perder todos os dentes... enfim, você entendeu. Ela foi assaltada.

Isso era por volta de 7 da manha. Eu estava em casa aproveitando o sono dos anjos quando toca o telefone, numero desconhecido. Era ela choramingando que tinham ameaçado ela com uma faca e tinham levado o celular e tal.

Eu, como bom marido que sou, após me assegurar que ela está sã e salva e que nada de grave tinha acontecido, tentei acalma-la, falar que não tinha problema (não tinha mesmo), que o telefone tinha seguro (tinha mesmo, recomendo), que comprava outro, aquela coisa toda.

Mas, e aqui vem o que me faz um bad guy, lá no fundo da minha inescrupulosa mente, assim que falei "comprava outro", já tomava forma um sórdido plano. Enquanto eu falava coisas doces para acalma-la ao telefone, eu pensava, eu tenho um iPhone sobrando e quero o modelo novo, porém para te-lo, preciso me desfazer do meu. Ela tem um iPhone faltando e precisa de outro, tão obvio quanto 2+2 = 4.

Veio a brecha e eu não resisti, nem me lembro o que ela disse e me saí com "você não vai ficar sem celular nem um dia, nem que eu te dar o meu e EU ficar sem até comprar outro".

Me fingia de bom moço mas estava descaradamente tentando me aproveitar da situação. Porém, dei com os burros nágua.

Ela devolveu com um sonoro: "Não! Eu quero um branco".

Cheguei a quase iniciar uma discussão: "Mas o meu tem 32Gb, vai ser melhor pra você", mas o restante de dignidade que me restava se manifestou impedindo.

Antes de me despedir dela, consegui um "depois a gente conversa sobre isso", mas com aquele tom de, tenho que trabalhar e não vou perder tempo conversando sobre um assunto que já está decidido, que só as mulheres sabem fazer.

Essa meus amigos, é a historia de como eu me tornei um vilão, porém não pensem que acabou, porque enquanto escreve esse texto penso em novas formas de convence-la a ficar com o preto enquanto eu compro um iPhone 5 pra mim.

Afinal, já que eu virei o vilão que pelo menos leve o premio.


____________________________
UPDATE: Perdi amigos, cheguei em casa e ela JÁ TINHA COMPRADO um iPhone novo.

Posted in , | Leave a comment

A propriedade é privada, pero no mucho.

Hoje eu li uma matéria (aqui) falando sobre as cadeiras cativas do Maracanã e a situação dos proprietários em relação aos jogos da Copa do Mundo e é impressionante como os fatos do futebol sempre terminam sendo uma ótima metáfora para os piores atrasos brasileiros.


Primeiro, para quem não sabe, o Maracanã, desde a sua inauguração lá na década de 50, o Maracanã vendeu algumas (milhares) de caideiras, essas cadeiras seriam numeradas e passariam a ser uma propriedade da pessoa que as compra-se. Trocando em miúdos, aquele pequeno espaço no Maracanã seria seu, só seu e de mais ninguém, o estado inclusive cobra "condomínio" dos proprietários. Ninguém NUNCA poderia sentar ali, mesmo que rapidamente, sem a sua autorização.

No Pan-americano, lá nos idos de 2007, a coisa já começou a ficar meio esquisita e tentaram barrar os donos das cadeiras nos eventos que fossem no estadio, porém após algumas ameaças na justiça, ao que consta, a coisa foi solucionada pacificamente e os donos de cadeiras ganharam "ingressos" para os eventos.

Avancemos no tempo e agora temos a Copa do Mundo já batendo as portas, e o que o secretario da prefeitura veio a publico anunciar? Que os proprietários de cadeira do maracanã se fuderam e não vão ter direito a nada, que é um evento privado, que o estadio vai estar por conta da Fifa e blábláblá.

Supostamente a justificativa dele é que para a Copa do Mundo, e exclusivamente para a Copa do Mundo, foi aprovada uma lei que daria ao estado esse poder, e que alem disso a copa do mundo era um evento diferenciado e portanto em eventos diferenciados o tratamento aos proprietários de cadeiras também seriam diferenciados.

Ai você pode pensar o seguinte, é só uma cadeira, na casa e Vídeo vende-se cadeiras por qualquer trezentos reais. 

Pois sabe quanto custa uma cadeirinha dessa no Maracanã? Em torno de humildes CENTO E OITENTA MIL REAIS, segundo matéria do UOL do ano passado, tudo bem que isso é um preço inflacionado pela perspectiva da Copa do Mundo porém a mesma reportagem frisa que é muito difícil conseguir uma cadeira abaixo de 50 mil, porra, cinquenta mil mangos não é nenhum troco de pão né gente.

Mas foda-se eles que tem essa quantidade de dinheiro pra comprar cadeira alguém pode pensar, e realmente fodam-se. Porém é preciso destacar um ponto: Como um bem seu, que normalmente é incluído, inclusive, no seu Imposto de Renda, pode assim de uma hora pra outra, com uma simples canetada do poder de ocasião, ser usurpado e todo mundo achar que está tudo bem com isso.

Na matéria linkada lá em cima, algumas falas me chamaram muito a atenção, a principal delas foi:
- "Isso era uma pré-condição para o Brasil receber uma Copa do Mundo. Acho que o direito individual não pode se sobrepor  ao desejo do país de sediar uma Copa do Mundo".  Régis Fitchner (secretário da Casa Civil do Governo do Estado do Rio de Janeiro)
O direito individual não deve se sobrepor ao desejo do país de sediar uma Copa do Mundo é de um retrocesso sem limites. O direito individual deveriam ser a base da sociedade e de tudo que ela se envolve, porque é dele que deriva a liberdade de cada um e por conseguinte, a liberdade do todo a quem chamamos de sociedade. O próximo passo deveria ser prender quem fica fazendo piada de quero ver na Copa porque está prejudicando o desejo do país de ter uma boa imagem, e isso não pode se sobrepor ao desejo do país.

Posted in , | Leave a comment
DMR Corp. Tecnologia do Blogger.

Search

Swedish Greys - a WordPress theme from Nordic Themepark. Converted by LiteThemes.com.